For Your Consideration: Harry Potter e as Relíquias da Morte – P.II
Começo oficialmente as campanhas para a premiação anual da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos, o Blog de Ouro. Como carro chefe quero deixar aqui a recomendação de um ator que soube aproveitar seu momento na hora certa. Alan Rickman deu vida a Severo Snape na medida ideal exigida pelas nuances de um personagem que se revela gradativamente durante saga de Harry Potter e seus amigos. Por tanto, o primeiro pedido de consideração é para ele:

Os álbuns de 2011 (#50 – #41)

#50 – Death Cab For Cutie – Codes and Keys
“Home”. Diferente de casa, lar, como dizem por aí, é onde o coração está. Para o DCFC Codes and Keys funciona como um representante desse lar que, ao que tudo indica, está no passado e causa muitas saudades, mas que essa distancia crescente ajudou a aprender muitas coisas pelos caminhos percorridos e “pedras jogadas ao ar que retornam como algo maior”. É como se tratassem construções como inimigas e lembranças e sentimentos como perfeitos aliados, aqueles que acendem chamas. Com a formula corriqueira de letras saudosas/tristes/motivadoras e instrumentação envolvente, Codes and Keys não chega a se destacar da discografia da banda, que tem no currículo jóias como Plans e Transatlanticism. Destaque para “Home is a Fire”, “Unobstructed Views”, “Stay Young, Go Dancing” e “You Are a Tourist”
#49 – Kaiser Chiefs – The Future is Medieval
Tá aí um álbum que veio sem estardalhaço mesmo tendo adotado uma forma diferente de divulgação (as músicas eram expostas no site e você montava seu próprio álbum). Future is Medieval deixa um pouco de lado o cinismo irreverente presente nos álbuns anteriores e isso não é tão legal. Há, claro, vários momentos inspiradíssimos como no caso de “I Can’t Mind My Own Business”, “Causin In The Bronx”, “Little Shocks” e ”Man On Mars”. Ainda assim faz falta toda aquela energia revigorante de uma banda que agora infelizmente aparenta cansaço.
#48 – Los Campesinos! – Hello Sadness
“Dá cá um abraço, tristeza” seria o subtítulo perfeito para o novo trabalho de Los Campesinos. Fim do amor, ciúmes, saudades, remorso, pensou em mais algum sentimento opressor? Pode colocar aqui que é certeza que tem espaço. “Hello Sadness” dá um jeito de celebrar essas mazelas todas na melodia e é aí que Los Campesinos! acerta em cheio, aliviando a pressão exercida pelas letras e quase sempre evitando a pieguice. Destaque para as ótimas “Songs About Your Girlfriend”, “Hello Sadness”, “The Black Bird, the Dark Slope”.
#47 – Patrick Wolf – Lupercalia
Patrick está feliz! Tudo anda dando muito certo, o amor reina em sua vida e não há espaço para muita coisa que não seja demonstrar como é bom ter alguém, ou como é bom esquecer alguém, enfim, como é bom passar por esse momento chamado felicidade. Diferente de seus trabalhos anteriores, Wolf deixa de lado suas letras viscerais, um tanto bizarras, e decide rumar ao obvio (amor, etc e tal). Daí surgem canções interessantes como “House” e essa coisa de ser arrebatado pelo bom humor e a declaração escancarada em “The City”, mas é durante e após “Armistice” que identificamos o porque de Patrick Wolf merecer atenção. O ritmo e a forma como seu talento vocal é abraçado pelas canções mais intensas é algo de fechar os olhos e se deixar levar. Destaque também para “Time Of My Love” – que me lembra demais as canções pop do japonês de Gackt – e “Together”.
#46 – CSS – La Liberación
CSS tem essa de ame-a ou deixe-a. Confesso que fui fisgado há um tempo pela doçura da Lovefoxxx e as composições de largadas do Cintra (infelizmente ex-integrante da banda) capazes de te fazer bater o pezinho (no mínimo) por um álbum inteiro. Então aqui é ligar o som no máximo e cantar junto essa mistura bacana de ritmos que vai do pop/rock tradicional, namora firme com o eletrônico e passar por algumas novidades dentro do costumeiro da banda. Destaque para “City Grrrl”, “Hits Me Like a Rock” e “Partners in Crime”
#45 – Kanye West + Jay Z – Watch the Throne
O tipo de união que dificilmente daria errado. Ainda que não seja um grande fã do trabalho de Jay Z é impossível não se deixar levar pelos arranjos impostos por Watch the Throne, um dos álbuns de hip-hop mais esperados do ano. E é isso que definitivamente vai atrair você, independente da sua opinião sobre os cantores e suas bases musicais (mesmo porque, vamos acordar, o hip-hop é um dos ritmos mais ricos em possibilidades atualmente). “No Church In The Wild” define as regras e depois é só seguir se impressionando com composições trabalhadas e feats bem tramados. Destaque para “Lift Off”, “Niggas in Paris”, “Why I Love You” e “Gotta Have It”.
#44 – Camille – iLo Veyou
Camille brinca com a voz de maneira tão contagiante e precisa que não foi surpresa a escolha da cantora para o tema de Ratatouille. Depois do exagerado Gospel With No Lord, Camille parece ter deixado a euforia de lado, o que transforma iLo Veyou uma brincadeira tão deliciosa de ouvir quanto Le Fil, no qual ela se limitava ao máximo usando apenas a voz como instrumento em vários momentos. Você certamente entenderá o que quero dizer por “brincadeira” quando ouvir “Allez, Allez, Allez”, digna de filme infantil. Encantadora a todo momento, Camille também é capaz de emocionar em composições mais melancólicas como as ótimas “Wet Boy” e “She Was”, sem dúvida uma das músicas mais lindas lançadas no ano que se passou.
#43 – Rachael Yamagata – Chesapeake
Foi o primeiro contato. Foi amor à primeira música e depois disso só orgulho e ótimas surpresas. Como um fã do vocal feminino mais limitado, sem todas aquelas firulas costumeiras, Yamagata seduz sem precisar de muito. Vocal impecável num álbum que explora muito bem a melancolia conseguindo variar nas abordagens às vezes sexy, às vezes casuais, às vezes regadas de tristeza intensa, flertando com o blues e o folk. Destaques para “Dealbreaker”, “You Won’t Let Me”, “Even If I Don’t” e “The Way It Seems to Go”.
#42 – James Blake – James Blake
O trabalho de estréia de James Blake é um festival de altos extremamente altos e baixos insuportáveis. Experimental ao extremo, Blake entrega sua voz à lá Antony and the Johnsons às modificações computadorizadas e através do domínio completo de sintetizadores cria as mais variadas composições. Capaz de maravilhas como é o caso de “Lindersfarne”, “” e “Wilhelms Scream”, mas também de desastres como “I Mind”.
#41 – The Drums – Portamento
The Drums arrastou um monte de elogios ano passado com seu álbum de estreia, mas confesso que não consegui gostar muito. Na verdade não gostei nada. Tudo ali me parecia amador, preguiçoso, incompleto, engessado. Portamento vem como uma prova de que a banda tem bem mais para oferecer do que batidinhas passadas de instrumental morto e reciclado e introduz elementos interessantes em suas novas músicas, de forma que ficassem mais claras sua identidade e inspirações. Destaque para as irretocáveis “Book of Revelation”, “Money”, “Hard To Love”, “Searching for Heaven” e “How It Ended”.
AS 100 músicas de 2011
A Sala está de volta e nada melhor que começar com algumas listas. Primeiro as 100 músicas de 2011, em seguida os 50 álbuns e, no mesmo período da premiação da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos, os melhores filmes, atrizes, atores, etc.
Espero que gostem.
